Archive for agosto \25\UTC 2015

Mais Marx, menos Mises: a previsibilidade por trás da queda imprevisível dos mercados

agosto 25, 2015

Brasil em 5

Por Edemilson Paraná

Poucas coisas misturam de modo mais intrigante caos e determinação como os mercados financeiros. Se é quase impossível prever quando vem o próximo tsunami, é praticamente um consenso (não importa a matriz de pensamento) que ele inescapavelmente virá de tempos em tempos. O jogo dá-se, portanto, entre aqueles que acertam e erram em suas apostas a respeito. O que alguns chamam de “comportamento dos atores” outros definem como “lógica intrínseca ao sistema”. É o que parece estar acontecendo hoje em mais uma dentre as várias “black mondays” que vimos ao longo da história (lembremos que os mercados dormem em pânico desde a última sexta-feira): uma previsível queda imprevisível.

A despeito de suas consequências afetarem o destino de bilhões de pessoas, sabemos que esse jogo é realmente jogado por um grupo pequeno de atores – o que não quer dizer que o clubinho esteja completamente imune…

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Dos enfoques sobre la ciudad y el campo no necesariamente contradictorios, pero tampoco coincidentes

agosto 18, 2015

Ninguém é deleuziano – Suely Rolnik

agosto 14, 2015

Territórios de Filosofia

Ninguém é deleuziano.

Suely Rolnik*.

1) É curioso como o texto de Deleuze pode parecer acessível e poderoso para alguns e tão obscuro e até delirante, para outros. O que tenho observado ao longo destes anos de trabalho com seu pensamento é que fazer ou não sentido, quando se trata de um texto de Deleuze, não depende de erudição filosófica, nem de qualquer posição epistemológica, metodológica ou mesmo ideológica, como pensam alguns, quando querem reduzir Deleuze ao papel de um mero pensador de maio de 68. Fazer ou não sentido, no caso de um texto de Deleuze e de outros autores como Nietzsche (um dos mais presentes na obra de Deleuze), depende muito mais da postura desde a qual o leitor exerce seu próprio pensamento.

Me explico: em seu livro sobre Proust e também em Diferença e Repetição, Deleuze escreve que «só se pensa porque se é forçado». O…

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Formação Econômica Brasileira: a década perdida, os anos 90 e a atualidade

agosto 12, 2015

Governo Sarney

Foco no combate à inflação

Visões sobre as raízes da inflação

∟ Pacto social: problema era causado pelo conflito distributivo

∟Ortodoxa: causado pelo excesso de demanda, alimentado pelos desequilíbrios fiscal e monetário

∟Heterodoxa: inércia inflacionária, alimentada pela indexação

∟ Larida: desequilíbrio fiscal e pela inércia inflacionária

Visão contemplada: VISÃO HETERODOXA

Vantagens

1. Oferece solução rápida;

2. Não é recessiva, não gera impacto sobre o crescimento econômico;

3. Visão neutra, do ponto de vista distributivo, não altera a distribuição de renda.

Plano Cruzado (28.02.1986)

É a primeira tentativa de tentar debelar a inflação no Brasil.

Plano 100% heterodoxo, sem nenhuma preocupação em conter demanda. O grande problema é a inércia inflacionária.

Medidas

  1. Congelamentode preços (valores correntes, praticados em 28.02), salários (corrigidos pela média do poder de compra dos 6 meses anteriores) e taxa de câmbio (valor corrente apreciado, praticado em 28.02 à moeda valorizada ajuda no combate à…

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Lutar contra o governo.

agosto 7, 2015

Brasil em 5

Por João Telésforo

Redução de investimentos sociais e precarização do trabalho – promovidos por Dilma com o seu “ajuste” – costumam vir acompanhados de hipertrofia da legislação punitiva e dos gastos públicos com repressão. É a consagrada fórmula do neoliberalismo realmente existente, tal como mostrou Loïc Wacquant: punir os pobres. Ampliação do Estado Penal como instrumento de controle disciplinar da pobreza racializada, ainda mais privada de direitos e oportunidades.

Não surpreende, então, que o governo do “ajuste” dê apoio ao aumento do tempo máximo de internamento de adolescentes – dos atuais 3 anos, para até 8 ou mesmo 10 anos -, entre outras medidas de ampliação do encarceramento. A “Pátria Educadora” parece apostar na educação do porrete. Na hora de reprimir mais as classes populares, o Estado não economiza.

Mas o governo Dilma ainda acha pouco. Agora encaminhou para o Congresso um Projeto de Lei para criminalizar o terrorismo. Trata-se de projeto não só desnecessário, mas deletério. Não bastando o sistema penal brasileiro funcionar como máquina genocida…

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A nova disputa pela África

agosto 7, 2015

Brasil em 5

por Paris Yeros

Desde o fim da Guerra Fria, o continente africano vive uma nova fase de disputas em torno de seus recursos naturais, de terra agrícola, água, minérios, petróleo e gás. Assim como no final do século XIX, há hoje uma escalada da competição pelo controle dos recursos naturais, ao ponto de se configurar uma disputa geopolítica militarizada.

A nova corrida tem características próprias. Primeiro, o capital financeiro que lidera a corrida, a partir dos grandes centros do Ocidente, segue desconectado da produção real e se comporta com uma agressividade especulativa inédita. A sua acumulação depende fundamentalmente da expansão e do estouro de bolhas, independentemente da demanda real pelos insumos em questão. Essa é, portanto, uma disputa cujo objetivo concreto é comercializar tudo possível e expô-lo ao tiroteio especulativo.

Segundo, entre os concorrentes hoje se incluem não apenas os tradicionais monopólios sedeados no Ocidente, mas também aqueles que almejam…

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